Responda a 4 perguntas simples e obtenha a recomendação do dispositivo de proteção contra sobretensões mais adequado.
Pergunta 1 de 4
O edifício tem pára-raios (SPDA)?
O SPDA é o conjunto de captores, condutores de descida e elétrodos de terra no exterior do edifício. A maioria das moradias não possui SPDA.
💡 Sabia que?Mesmo sem SPDA, os equipamentos podem ser danificados por sobretensões induzidas. A instalação de DST é obrigatória em Portugal conforme as RTIEBT (Secção 443).
Pergunta 2 de 4
A alimentação elétrica chega por linha aérea?
Se a rede elétrica chega por cabos suspensos em postes, existe risco acrescido de sobretensões atmosféricas.
💡 Porquê?Linhas aéreas captam sobretensões atmosféricas. Necessário DST Tipo 1 para escoar a corrente de raio.
Pergunta 3 de 4
Qual o tipo de edifício?
O tipo de edifício determina o nível de proteção e o produto mais adequado.
Pergunta 4 de 4
Instalação monofásica ou trifásica?
Disjuntor de entrada com 1-2 polos = monofásico. Com 4 polos = trifásico.
Pergunta extra
Qual a classe do SPDA?
A classe determina a corrente de raio esperada e o descarregador necessário.
Ajuste as quantidades conforme a sua instalação e gere o PDF para levar ao distribuidor
Nota: Os dispositivos apresentados são baseados na marca de referência OBO Bettermann.
📦 Quadro de Entrada / Geral Obrigatório
Proteção adicional
📦 Quadros Parciais Se distância ≥ 10m
📏
Regra dos 10 metros: Se a distância de cabo entre o quadro de entrada e um quadro parcial for ≥ 10m, é necessário instalar proteção adicional. Ajuste a quantidade conforme o número de quadros parciais que cumprem esta condição.
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Tipos de DST na sua solução
T1
Tipo 1
Corrente de raio direta. Primeira barreira.
T2
Tipo 2
Sobretensões induzidas. O mais comum.
T3
Tipo 3
Proteção fina junto aos equipamentos.
Conceito de proteção por zonas
📚 Base de Conhecimento
Proteção contra Sobretensões
Tudo o que precisa saber, explicado de forma simples e visual.
O que é uma sobretensão?
Imagine a rede elétrica como um cano de água. A tensão normal (230V) é a pressão habitual. Uma sobretensão é como um "golpe de aríete" — um pico brutal de pressão que dura milissegundos mas pode rebentar tudo à sua passagem.
De onde vêm as sobretensões?
⛈️
1. Descargas atmosféricas (raios)
A causa mais grave. Um raio pode induzir sobretensões de 6.000V ou mais na rede elétrica, mesmo que caia a quilómetros de distância. Se cair diretamente no edifício ou na linha de alimentação, os valores podem atingir dezenas de milhares de volts.
🔌
2. Manobras na rede elétrica
Quando grandes motores, transformadores ou equipamentos industriais são ligados ou desligados, produzem picos de tensão que se propagam pela rede. Acontece todos os dias, várias vezes.
⚠️
3. Defeitos na rede de distribuição
Curto-circuitos, contacto acidental entre linhas de média e baixa tensão, ou avarias em transformadores da concessionária podem gerar sobretensões imprevisíveis.
O que pode ser danificado?
Qualquer equipamento eletrónico é vulnerável. Quanto mais sensível, maior o risco:
💻
Computadores
Risco muito alto
📡
Routers / Redes
Risco muito alto
📺
TVs / Hi-Fi
Risco alto
🏭
PLCs / VFDs
Risco alto
🧊
Eletrodomésticos
Risco moderado
💡
Iluminação LED
Risco moderado
O que faz um DST?
Um Dispositivo de Proteção contra Sobretensões (DST) funciona como uma "válvula de escape". Em condições normais, está inativo. Quando deteta um pico de tensão acima do limiar de proteção, desvia instantaneamente a energia excedente para a terra, protegendo os equipamentos. Quando a tensão volta ao normal, o DST fecha-se automaticamente.
DST inativo — tudo OK
DST desvia para terra
Os 3 tipos de DST — Proteção em cascata
A proteção contra sobretensões funciona por "camadas" — cada tipo de DST trata de um nível diferente de ameaça, como uma equipa onde cada elemento tem a sua função.
T1
Tipo 1 — O "guarda-costas"
Proteção contra corrente de raio direta
O Tipo 1 é a primeira linha de defesa. Suporta as correntes mais violentas — a descarga direta de um raio, que pode atingir dezenas de milhares de amperes. Utiliza tecnologia de centelhador (spark gap) para escoar estas correntes para a terra.
Corrente de raio 10/350µs
Quadro de entrada
Obrigatório c/ SPDA ou linha aérea
T2
Tipo 2 — O "escudo principal"
Proteção contra sobretensões induzidas
O tipo mais comum e presente em quase todas as instalações. Limita as sobretensões induzidas por raios nas proximidades ou por manobras na rede a níveis seguros para os equipamentos. Utiliza tecnologia de varistores (MOV) que reagem em nanosegundos.
Impulso 8/20µs
Quadro geral + parciais
Obrigatório em todas as instalações
T3
Tipo 3 — O "guarda-redes"
Proteção fina / terminal
A última linha de defesa, instalada junto aos equipamentos mais sensíveis. Reduz a tensão residual (que passou pelos Tipo 1 e 2) ao mínimo absoluto. Pode vir integrada em tomadas, réguas ou fichas, ou como dispositivo combinado Tipo 2+3 (como o V10 COMPACT).
Tensão residual mínima
Junto aos equipamentos
Opcional / complementar
💡 Dispositivos combinadosMuitos DST modernos combinam dois tipos num só dispositivo. Por exemplo: • V10 COMPACT = Tipo 2+3 combinado (protege e refina numa só peça) • V50 = Tipo 1+2 combinado (escoamento de raio + proteção induzida) • MCF100 = Tipo 1+2 de alto desempenho (para SPDA Classe I/II)
Comparação rápida
Característica
Tipo 1
Tipo 2
Tipo 3
Ameaça
Raio direto
Induzidas
Residuais
Forma de onda
10/350 µs
8/20 µs
1.2/50 µs
Corrente típica
12.5 – 25 kA
20 – 40 kA
5 – 10 kA
Localização
Quadro entrada
Quadros gerais
Junto ao equip.
Quando é obrigatório?
Com SPDA / aéreo
Sempre
Recomendado
Onde instalar os DST?
A proteção contra sobretensões segue o conceito de zonas da norma IEC 62305-4. Cada zona é uma barreira que reduz progressivamente a tensão até níveis seguros para os equipamentos.
1
Quadro de Entrada / Geral
Primeira barreira — onde a rede exterior entra no edifício. Aqui instala-se o DST principal. Se há SPDA ou linha aérea, deve ser Tipo 1+2 (V50 ou MCF100). Sem SPDA, basta Tipo 2 (V20) ou Tipo 2+3 (V10 COMPACT para moradias).
Segunda barreira. Necessária quando a distância de cabo entre o quadro geral e um sub-quadro é ≥ 10 metros. Sem esta proteção adicional, a sobretensão pode "regenerar-se" ao longo do cabo. Tipicamente Tipo 2 (V20).
Tensão: 2.500V → 1.500V
3
Junto aos Equipamentos (opcional)
Última barreira. Proteção fina (Tipo 3) em tomadas ou réguas para equipamentos especialmente sensíveis: servidores, equipamentos médicos, sistemas SCADA, automação industrial.
Tensão: ≤ 1.500V → ≤ 1.100V (nível seguro para eletrónica)
⚠️ Regra dos 10 metros — Porquê? Quando uma sobretensão viaja por um cabo longo, o efeito indutivo do próprio cabo pode amplificar a tensão novamente. A partir de 10m de distância (pelo traçado real do cabo, não em linha reta), esta regeneração torna-se significativa, podendo ultrapassar o nível de proteção do DST instalado no quadro geral. Por isso, a norma exige um novo DST no quadro parcial.
💡 Regra prática para comprimento dos cabos do DSTO comprimento total dos cabos de ligação do DST (cabo de entrada + cabo de saída até à terra) deve ser ≤ 0,5 metros. Cabos mais compridos reduzem a eficácia da proteção por efeito indutivo. Por isso, o DST deve ficar o mais próximo possível da entrada do quadro.
Fusíveis de backup — Porque são necessários?
Quando um DST atua repetidamente ou chega ao fim de vida, pode entrar em curto-circuito. O fusível de backup (ou vorsicherung em alemão) protege a instalação contra esta situação, interrompendo o circuito antes que o DST danificado cause problemas maiores.
Quando é necessário?
✅
NÃO precisa de fusível adicional
Quando o disjuntor / fusível de entrada do quadro é igual ou inferior ao valor máximo suportado pelo DST.
⚠️
PRECISA de fusível adicional
Quando o disjuntor / fusível de entrada é superior ao valor máximo. Neste caso, instalar fusível gG do valor indicado em série com o DST.
Valores por produto
Produto
Tipo
Fusível máx.
Exemplo
V10 COMPACT
T2+3
63A gG
Moradia c/ disj. 40A → sem fusível extra
V20
T2
160A gG
Edifício c/ disj. 100A → sem fusível extra
V50
T1+2
160A gG
Industrial c/ fusível 200A → fusível 160A extra
MCF100
T1+2
315A gG
Grande instalação → muito raramente precisa extra
💡 Regra dos 0,5 metrosOs cabos de ligação do DST e do fusível de backup (ida + volta) devem ter um comprimento total ≤ 0,5m. Cabos mais compridos introduzem indutância que degrada o nível de proteção. Posicione o DST e o fusível o mais perto possível do ponto de entrada no quadro.
Esquema de ligação com fusível
Enquadramento normativo
A proteção contra sobretensões não é opcional — é exigida pelas normas e regulamentos em vigor em Portugal e na Europa.
RTIEBT
Regras Técnicas das Instalações Elétricas de Baixa Tensão
O regulamento português para instalações elétricas de baixa tensão, aprovado pela Portaria nº 949-A/2006. A Secção 443 trata especificamente da proteção contra sobretensões transitórias e exige a sua instalação em instalações novas e remodeladas. Incorpora os requisitos dos documentos de harmonização europeus HD 60364.
HD 60364-4-443 (CENELEC)
Documento de Harmonização Europeu — Proteção contra sobretensões transitórias
Documento de harmonização europeu do CENELEC que define quando é obrigatório instalar DST. É a base técnica que as RTIEBT adotam na Secção 443. Desde a sua revisão, é obrigatório instalar DST em quase todas as instalações — a não ser que se demonstre formalmente que o risco é aceitável.
IEC 61643-11
Requisitos e métodos de ensaio para DST
Norma internacional que define as classes (Tipo 1, 2 e 3), os ensaios e os requisitos de desempenho que os DST devem cumprir. Todos os produtos recomendados neste guia são certificados segundo esta norma.
IEC 62305 (partes 1 a 4)
Proteção contra descargas atmosféricas
A norma completa de proteção contra raios. A parte 4 trata especificamente da proteção dos sistemas elétricos e eletrónicos dentro das estruturas, incluindo a seleção de DST.
HD 60364-5-534 (CENELEC)
Documento de Harmonização Europeu — Seleção e instalação de DST
Define as regras práticas de instalação: como ligar o DST, comprimento máximo dos cabos (0,5m), coordenação entre tipos, seleção do fusível de backup, e requisitos de ligação à terra.
⚠️ Quem pode instalar? A instalação de DST no quadro elétrico deve ser realizada por um técnico eletricista qualificado e inscrito na DGEG (Direção-Geral de Energia e Geologia). Trabalhar no quadro elétrico sem formação adequada é perigoso e ilegal.