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Escolha o DST certo para a sua instalação

Responda a algumas perguntas e obtenha uma recomendação técnica orientativa de proteção contra sobretensões.

DST — Descarregador de Sobretensões (terminologia portuguesa). Em documentação internacional pode surgir como SPD — Surge Protective Device (IEC 61643).

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Resumo técnico Preencha os dados para validar a seleção.
Passo 1 — Proteção exterior
A estrutura associada ao quadro principal tem pára-raios (SPDA)?
Esta resposta aplica-se apenas à estrutura associada ao QGBT/entrada principal. Se o QGBT estiver no exterior junto ao PT e alimentar vários blocos, indique aqui a condição do ponto principal e configure o SPDA/LPL de cada bloco no Passo 7.
💡 Sabia que?Mesmo sem SPDA, os equipamentos podem ser danificados por sobretensões induzidas. Em Portugal, a necessidade e condições de instalação de DST devem ser verificadas pelas RTIEBT e pelas adoções aplicáveis da série IEC/HD 60364; esta ferramenta não substitui essa verificação.
Passo 2 — Alimentação
A alimentação elétrica chega por linha aérea?
Se a rede elétrica chega por cabos suspensos em postes, existe risco acrescido de sobretensões atmosféricas.
💡 Porquê?Uma linha aérea aumenta a exposição a S3. Quando uma descarga direta na linha deve ser considerada, a IEC 62305-4 admite a seleção de um DST ensaiado em Classe I na origem; a capacidade é validada pelo motor de cálculo em função do cenário.
Passo 3 — Tipo de instalação
Qual o tipo de edifício ou instalação?
O tipo de instalação influencia as notas técnicas e a necessidade de coordenação.
Passo 4 — Sistema elétrico
Instalação monofásica ou trifásica?
Confirme o sistema elétrico e os condutores no esquema unifilar da instalação.
Configuração técnica — Rede e enquadramento
Como está configurada a alimentação da instalação?
O esquema de ligação à terra determina a topologia de ligação do DST. O país é usado para separar a referência IEC das regras nacionais/contratuais no relatório.
A IEC 62305 é a base técnica. RTIEBT/ANEPC só são tratadas como referências nacionais quando Portugal for selecionado.
As referências 1+NPE / 3+NPE validadas nesta versão destinam-se a TT/TN-S/TN-C-S. TN-C e IT exigem seleção específica.
Se conhecido, é comparado com a resistência ao curto-circuito declarada na ficha do DST.
Se vazio, o relatório usa 2,5 kV apenas como referência de Categoria II para 230/400 V e identifica a hipótese.
🔎 Porque é obrigatório perguntar isto?IEC 62305-4, Anexo C, distingue as ligações CT1/CT2 e os valores de Iimp/In conforme o sistema de alimentação. Sem TT/TN/IT conhecido, a referência comercial só pode ser tratada como pré-seleção.
Proteção a montante do DST principal
Qual é a proteção a montante no quadro principal?
Indique o calibre real do disjuntor ou fusível de entrada do quadro (ex.: 100 A) — assim conseguimos dizer-lhe exatamente se precisa de fusível adicional, em vez de uma resposta genérica. Este valor é usado para verificar o limite de proteção a montante declarado pelo fabricante do DST selecionado. Para a família V20 sem fusível integrado, o limite de referência é 160 A; MCF/V50 têm limites próprios.
A
Indicar o calibre (A)
Disjuntor ou fusível de entrada do quadro principal
Estratégia do ramal do DST
A ferramenta pode usar a proteção já existente como backup ou prever um fusível gG dedicado ao ramal do DST. A segunda opção facilita manutenção e limita uma avaria ao ramal do DST, mas exige verificar seletividade e suportabilidade ao impulso.
A regra simplificada de seletividade por relação de calibres só é aplicada automaticamente a gG/gG.
A política global é aplicada também aos QE/QP, salvo substituição individual no Passo 7. “F2 dedicado obrigatório” permite manter F2 mesmo quando a seletividade não fica garantida automaticamente.
💡 Coordenação com OCPDO calibre por si só não fecha a verificação: o relatório distingue limite de backup do fabricante, Ik/SCCR, seletividade e suportabilidade do fusível ao impulso. No V20 standard, 160 A é o limite máximo de backup; quando a política é “fusível dedicado”, a ferramenta privilegia o V20 sem pré-fusível integrado.
Nível de proteção — LPL / Classe do LPS
Qual é a classe do LPS/SPDA definida no projeto?
Indique a classe resultante da análise de risco ou de requisito regulamentar/contratual. A ferramenta não infere a classe a partir do tipo de edifício.
IEC 62305O LPL/LPS deve ser definido pela gestão de risco ou por requisito aplicável. A memória passa a registar uma classe individual — I, II, III ou IV — evitando a ambiguidade “I-II”.
Passo 7 — Distribuição por edifícios / subquadros
O QGBT alimenta outros edifícios/blocos ou quadros parciais?
Distinguir um QE de entrada de uma nova estrutura de um simples quadro parcial é essencial. Um QE de um bloco com SPDA pode ter de conduzir corrente parcial de raio no ponto de entrada, mesmo estando eletricamente a jusante do QGBT.
🏢 Entrada de estrutura ≠ quadro parcialQuando um alimentador entra noutro edifício, o QE desse edifício é tratado como nova fronteira física. Se esse edifício possuir SPDA, o motor avalia uma função Tipo 1/1+2 e o Iimp requerido; o limiar dos 10 m não substitui esta verificação.
Passo 8 — Equipamentos sensíveis
Existem equipamentos sensíveis na instalação?
Equipamentos eletrónicos de precisão são mais vulneráveis a sobretensões residuais. Exemplos: servidores, informática, UPS, AVAC, BMS, automação, equipamentos médicos ou assistenciais, sistemas de segurança.
💡 Proteção por camadasO DST Tipo 3 junto dos equipamentos sensíveis complementa a proteção do quadro, mas não a substitui.
Passo 9 — Linhas de sinal
Que linhas de dados, telecomunicações ou sinal existem?
Selecione todas as aplicáveis. Linhas de sinal são uma via independente de entrada de energia de sobretensão, que o DST de potência não protege.
💡 Proteção de sinalCada tipo de linha exige um DST de sinal específico, dimensionado para a impedância e frequência da linha.
Passo 10 — Criticidade
Qual a criticidade da continuidade de serviço?
A criticidade define o nível de exigência para a seleção de DST, a necessidade de sinalização remota, manutenção periódica e redundância.
💡 Continuidade de serviçoPara criticidade elevada ou crítica, avaliar DST com indicação de estado, substituição rápida de cartuchos e manutenção periódica.
Passo FV — Sistema fotovoltaico
Existe sistema fotovoltaico na instalação?
A presença de painéis FV introduz circuitos DC que requerem proteção específica, diferente da proteção AC convencional.
💡 Proteção FVSistemas FV requerem DST específicos no lado DC (entre painéis e inversor) e no lado AC (saída do inversor). A proteção das linhas de monitorização/dados também deve ser considerada. Validar em projeto (IEC 61643-32, IEC 62305-3).
Passo FV — SPDI / SPDA e sistema FV
Qual a relação do sistema FV com o SPDI/SPDA?
Como já indicou que existe SPDA, confirme se a distância de separação entre o sistema FV e o LPS é mantida. Esta condição altera a equipotencialização e a classe de ensaio dos DST no lado DC/AC.
💡 Separação SPDA — Cenário CQuando a distância de separação entre a estrutura FV e os captadores/descidas do SPDA não é mantida, a estrutura FV deve ser integrada na equipotencialização de raio e os DST DC devem ser Tipo 1+2 (IEC 62305-3).
Passo FV — Tensão máxima DC
Qual a tensão máxima DC do sistema FV?
Confirme a tensão máxima de circuito aberto do gerador FV para a temperatura de projeto. Ucpv é a tensão máxima de funcionamento contínuo admissível do DST. Consulte o guia junto de cada opção.
💡 UcpvA tensão Ucpv do DST DC deve ser igual ou superior à tensão máxima de circuito aberto do gerador FV (Uoc,max, à temperatura mínima de projeto). Verificar sempre a ficha técnica do inversor e do gerador FV antes de selecionar o DST.
Passo FV — Entradas MPPT / DC
Quantas entradas MPPT / DC devem ser protegidas?
Cada entrada MPPT do inversor é uma via DC independente que pode requerer proteção individual. Confirmar no projeto FV e na ficha técnica do inversor.
💡 MPPT e DST DCO número de entradas MPPT influencia a seleção do produto DC (ex. versões para 1 ou 2 MPPT) e a quantidade necessária. Para string box, avaliar proteção DC dedicada em projeto.
Passo FV — Distância DC
A distância DC entre o gerador FV e o inversor é superior a 10 m?
A distância corresponde ao percurso entre gerador e inversor, sem somar os comprimentos dos condutores positivo e negativo. Distâncias longas aumentam o laço indutivo e a tensão residual junto ao inversor — pode justificar DST adicional no lado do gerador / string box.
💡 Regra dos 10 m — DCPara distâncias DC superiores a 10 m, avaliar quando aplicável um DST adicional no lado do gerador / string box, além do DST junto ao inversor. Reduz a tensão residual e o laço indutivo. Confirmar em projeto.
Passo FV — Distância AC
A distância AC entre o inversor e o quadro é superior a 10 m?
A distância é medida pelo traçado real do cabo AC entre a saída do inversor e o quadro de distribuição. Distâncias longas podem justificar DST AC dedicado na saída do inversor.
💡 Regra dos 10 m — ACPara distâncias AC superiores a 10 m entre o inversor e o quadro, avaliar quando aplicável um DST AC na saída do inversor, coordenado com o DST do quadro principal. Confirmar em projeto.
Passo FV — Monitorização / dados
Existem linhas de monitorização / dados do sistema FV?
Selecione todas as aplicáveis. As linhas de comunicação do inversor, sensores e dataloggers também podem ser afetadas por sobretensões.
💡 Proteção de dados FVAs linhas de comunicação do sistema FV estão sujeitas a sobretensões induzidas, especialmente em instalações exteriores. Confirmar a tensão e protocolo de cada interface antes de selecionar o DST de sinal.
✅ Recomendação

A sua solução de proteção

Ajuste as quantidades conforme a sua instalação e gere o PDF para levar ao distribuidor

Nota: Os dispositivos apresentados são usados como referência técnica ilustrativa.

📦 Quadro de Entrada / Geral Principal
Proteção adicional
🏢 Entradas de edifícios / blocos Nova fronteira física
⚡

Correntes parciais de raio: um QE que recebe um alimentador noutro edifício é avaliado como entrada de estrutura. Se esse edifício tiver SPDA, o motor verifica a necessidade de DST com capacidade de corrente de raio e o Iimp requerido nesse ponto.

📦 Quadros Parciais Se distância ≥ 10m
📏

Regra dos 10 metros: Se a distância de cabo entre o quadro de entrada e um quadro parcial for ≥ 10 m, é obrigatória a avaliação de medidas adicionais; um DST coordenado no subquadro é a solução típica. Ajuste a quantidade conforme o número de quadros parciais que cumprem esta condição.

💾 Guardar / reabrir projeto

O ficheiro guarda os dados introduzidos e as escolhas de materiais, mas não congela o dimensionamento. Ao reabrir, o motor técnico atual recalcula DST, F2, seletividade, Up/Uw e Ik/SCCR.
Aplicação 2.27.0 · Motor 3.4.0
Nenhum ficheiro de projeto carregado nesta sessão.
🧾 Revisões emitidas
O histórico é documental e nunca é usado para dimensionar. Cada revisão guarda snapshots apenas para comparação; o cálculo atual continua a sair do motor técnico centralizado.
Ainda não existe uma revisão emitida.
Gerar lista de material (PDF)
Tipos de DST na sua solução
T1

Tipo 1

Corrente de raio direta. Primeira barreira.

T2

Tipo 2

Sobretensões induzidas. O mais comum.

T3

Tipo 3

Proteção fina junto aos equipamentos.

Esquema de proteção contra sobretensões
Representação conceptual e unifilar simplificada. O desenho acompanha automaticamente os quadros parciais introduzidos no estudo, os respetivos DST e as proteções a montante.
📚 Base de Conhecimento

Proteção contra Sobretensões

Tudo o que precisa saber, explicado de forma simples e visual.

Glossário técnico — o que significa cada grandeza?
Resumo didático das grandezas usadas no dimensionamento e verificação dos DST. A coluna “Comparar com” mostra a relação prática usada pela ferramenta; não substitui a definição normativa completa nem as condições da ficha técnica do fabricante.
O que é uma sobretensão?
Imagine a rede elétrica como um cano de água. A tensão normal (230V) é a pressão habitual. Uma sobretensão é como um "golpe de aríete" — um pico brutal de pressão que dura milissegundos mas pode rebentar tudo à sua passagem.
Tensão (V) 230V 6000V ⚡ Sobretensão! Normal (230V) Normal (230V) Tempo → (duração: microsegundos)
De onde vêm as sobretensões?
⛈️
1. Descargas atmosféricas (raios)
A causa mais grave. Um raio pode induzir sobretensões de 6.000V ou mais na rede elétrica, mesmo que caia a quilómetros de distância. Se cair diretamente no edifício ou na linha de alimentação, os valores podem atingir dezenas de milhares de volts.
🔌
2. Manobras na rede elétrica
Quando grandes motores, transformadores ou equipamentos industriais são ligados ou desligados, produzem picos de tensão que se propagam pela rede. Acontece todos os dias, várias vezes.
⚠️
3. Defeitos na rede de distribuição
Curto-circuitos, contacto acidental entre linhas de média e baixa tensão, ou avarias em transformadores da concessionária podem gerar sobretensões imprevisíveis.
O que pode ser danificado?
Qualquer equipamento eletrónico é vulnerável. Quanto mais sensível, maior o risco:
💻
Computadores
Risco muito alto
📡
Routers / Redes
Risco muito alto
📺
TVs / Hi-Fi
Risco alto
🏭
PLCs / VFDs
Risco alto
🧊
Eletrodomésticos
Risco moderado
💡
Iluminação LED
Risco moderado
O que faz um DST?
Um Dispositivo de Proteção contra Sobretensões (DST) funciona como uma "válvula de escape". Em condições normais, está inativo. Quando deteta um pico de tensão acima do limiar de proteção, desvia instantaneamente a energia excedente para a terra, protegendo os equipamentos. Quando a tensão volta ao normal, o DST fecha-se automaticamente.
NORMAL DST Equip. Terra ⏚
DST inativo — tudo OK
SOBRETENSÃO! DST Protegido ✓ Terra ⏚
DST desvia para terra
Sobretensão transitória vs permanente
⚡ Transitória — foco deste guia
Pico de tensão de curta duração (microsegundos a milissegundos), tipicamente causado por descargas atmosféricas, manobras na rede ou comutação de cargas. É contra este tipo de sobretensão que actuam os DST abordados neste guia (Tipo 1, 2 e 3), de acordo com a IEC 61643-11 e o HD/IEC 60364-5-53, secção 534.
📈 Permanente — âmbito diferente
Elevação sustentada da tensão, por exemplo por defeito de neutro, falha do transformador da rede ou anomalia prolongada da concessionária. Exige análise e proteção distintas (relés de máxima tensão, dispositivos de monitorização). Um DST de sobretensão transitória não é concebido para esta função e não a substitui.
Sistema TT, TN ou IT — impacto na escolha de Uc
A tensão máxima de serviço contínuo (Uc) do DST deve ser compatível com o sistema de ligação à terra da instalação. Em cada esquema, a tensão que pode aparecer entre condutores ativos e terra em condições de defeito é diferente, pelo que a seleção de Uc deve ter em conta o esquema da instalação, a ficha técnica do DST e as regras aplicáveis do HD/IEC 60364-5-53, secção 534.
Sistema Atenção principal
TT Verificar a tensão fase-terra admissível e a coordenação com o diferencial e a terra local. Esquema comum em Portugal para instalações domésticas.
TN Verificar compatibilidade com o sub-esquema TN-S ou TN-C-S e com os condutores de proteção. Em TN-C evitar ligação entre N e PE a jusante do ponto de separação.
IT Verificar a tensão admissível em situação de primeira falha (tensão de defeito elevada). Frequente em instalações industriais, hospitais e ambientes com requisito de continuidade de serviço.
Esta tabela é orientativa. A seleção definitiva deve ser validada em projeto elétrico por técnico habilitado.
Os 3 tipos de DST — Proteção em cascata
A proteção contra sobretensões funciona por "camadas" — cada tipo de DST trata de um nível diferente de ameaça, como uma equipa onde cada elemento tem a sua função.
T1
Tipo 1 — O "guarda-costas"
Proteção contra corrente de raio direta
O Tipo 1 é a primeira linha de defesa. Suporta as correntes mais violentas — a descarga direta de um raio, que pode atingir dezenas de milhares de amperes. Utiliza tecnologia de centelhador (spark gap) para escoar estas correntes para a terra.
Corrente de raio 10/350µs
Quadro de entrada
S1 / S3 direto — validar Iimp
T2
Tipo 2 — O "escudo principal"
Proteção contra sobretensões induzidas
O tipo mais comum e presente em quase todas as instalações. Limita as sobretensões induzidas por raios nas proximidades ou por manobras na rede a níveis seguros para os equipamentos. Utiliza tecnologia de varistores (MOV) que reagem em nanosegundos.
Impulso 8/20µs
Quadro geral + parciais
Obrigatório em todas as instalações
T3
Tipo 3 — O "guarda-redes"
Proteção fina / terminal
A última linha de defesa, instalada junto aos equipamentos mais sensíveis. Reduz a tensão residual (que passou pelos Tipo 1 e 2) ao mínimo absoluto. Pode vir integrada em tomadas, réguas ou fichas, ou como dispositivo combinado Tipo 2+3 (como o V10 COMPACT).
Tensão residual mínima
Junto aos equipamentos
Opcional / complementar
💡 Dispositivos combinadosMuitos DST modernos combinam dois tipos num só dispositivo. Por exemplo:
• V10 COMPACT = Tipo 2+3 combinado (protege e refina numa só peça)
• V50 = Tipo 1+2 combinado (escoamento de raio + proteção induzida)
• MCF100 = Tipo 1+2 de maior capacidade; selecionar pela matriz Iimp/LPL/topologia
Comparação rápida
Característica Tipo 1 Tipo 2 Tipo 3
AmeaçaRaio diretoInduzidasResiduais
Forma de onda10/350 µs8/20 µs1.2/50 µs
Corrente típica12.5 – 25 kA20 – 40 kA5 – 10 kA
LocalizaçãoQuadro entradaQuadros geraisJunto ao equip.
Quando avaliar?S1 / S3 diretosS2 / S4 e cascataJunto a cargas, quando justificado
Onde instalar os DST?
A proteção contra sobretensões segue o conceito de zonas da norma IEC 62305-4. Cada zona é uma barreira que reduz progressivamente a tensão até níveis seguros para os equipamentos.
1
Quadro de Entrada / Geral
Primeira barreira — na origem ou perto da origem da instalação. A classe de ensaio e a capacidade do DST resultam das fontes de dano consideradas: S1/S3 podem exigir Classe I; para efeitos induzidos S2/S4 pode ser suficiente Classe II. A matriz técnica verifica Iimp/In e Up/Uw antes de validar uma referência.
A etiqueta Tipo 1/2/3 não substitui a verificação de Iimp, In, Up, Uc/TOV, SCCR/Ik e coordenação.
2
Quadros Parciais / Sub-quadros
Segunda barreira. Necessária quando a distância de cabo entre o quadro geral e um sub-quadro é ≥ 10 metros. Sem esta proteção adicional, a sobretensão pode "regenerar-se" ao longo do cabo. Tipicamente Tipo 2 (V20).
Tensão: 2.500V → 1.500V
3
Junto aos Equipamentos (opcional)
Última barreira. Proteção fina (Tipo 3) em tomadas ou réguas para equipamentos especialmente sensíveis: servidores, equipamentos médicos, sistemas SCADA, automação industrial.
Tensão: ≤ 1.500V → ≤ 1.100V (nível seguro para eletrónica)
⚠️ Regra dos 10 metros — Porquê?
Quando uma sobretensão viaja por um cabo longo, o efeito indutivo do próprio cabo pode amplificar a tensão novamente. A partir de 10m de distância (pelo traçado real do cabo, não em linha reta), esta regeneração torna-se significativa, podendo ultrapassar o nível de proteção do DST instalado no quadro geral. Por isso, a norma exige um novo DST no quadro parcial.
💡 Regra prática para comprimento dos cabos do DSTO comprimento total dos cabos de ligação do DST (cabo de entrada + cabo de saída até à terra) deve ser ≤ 0,5 metros. Cabos mais compridos reduzem a eficácia da proteção por efeito indutivo. Por isso, o DST deve ficar o mais próximo possível da entrada do quadro.
Fusíveis de backup — Porque são necessários?
Quando um DST atua repetidamente ou chega ao fim de vida, pode entrar em curto-circuito. O fusível de backup (ou vorsicherung em alemão) protege a instalação contra esta situação, interrompendo o circuito antes que o DST danificado cause problemas maiores.
Quando é necessário?
✅
NÃO precisa de fusível adicional
Quando o disjuntor / fusível de entrada do quadro é igual ou inferior ao valor máximo suportado pelo DST.
⚠️
PRECISA de fusível adicional
Quando o disjuntor / fusível de entrada é superior ao valor máximo. Neste caso, instalar fusível gG do valor indicado em série com o DST.
Valores por produto
Produto Tipo Fusível máx. Exemplo
V10 COMPACTT2+363A gGMoradia c/ disj. 40A → sem fusível extra
V20T2160A gGEdifício c/ disj. 100A → sem fusível extra
V50T1+2160A gGIndustrial c/ fusível 200A → fusível 160A extra
MCF100T1+2315A gGGrande instalação → muito raramente precisa extra
💡 Regra dos 0,5 metrosA soma dos condutores de ligação — do condutor ativo até ao DST (passando pelo fusível de backup, quando existe) e do DST até à barra PE — deve ser ≤ 0,5 m (IEC 62305-4:2024, C.2.3.1.3). Cabos mais compridos introduzem indutância que degrada o nível de proteção. Posicione o DST e o fusível o mais perto possível do ponto de entrada no quadro.
Esquema de ligação com fusível
Rede Disj. F1 Cargas Fus. F2 DST F2 só necessário se F1 > valor máx. a+b ≤ 0,5m
Enquadramento normativo
A proteção contra sobretensões não é opcional — é exigida pelas normas e regulamentos em vigor em Portugal e na Europa.
RTIEBT
Regras Técnicas das Instalações Elétricas de Baixa Tensão
O regulamento português para instalações elétricas de baixa tensão, aprovado pela Portaria nº 949-A/2006. A Secção 443 trata especificamente da proteção contra sobretensões transitórias e exige a sua instalação em instalações novas e remodeladas. Incorpora os requisitos dos documentos de harmonização europeus HD 60364.
HD 60364-4-443 (CENELEC)
Documento de Harmonização Europeu — Proteção contra sobretensões transitórias
Documento de harmonização europeu do CENELEC que define quando é obrigatório instalar DST, com base na avaliação do risco de sobretensões da instalação. É a base técnica que as RTIEBT adotam na Secção 443.
IEC 61643-11
Requisitos e métodos de ensaio para DST
Norma internacional que define as classes (Tipo 1, 2 e 3), os ensaios e os requisitos de desempenho que os DST devem cumprir. Todos os produtos recomendados neste guia são certificados segundo esta norma.
IEC 62305 (partes 1 a 4)
Proteção contra descargas atmosféricas
A norma completa de proteção contra raios. A parte 4 trata especificamente da proteção dos sistemas elétricos e eletrónicos dentro das estruturas, incluindo a seleção de DST.
HD/IEC 60364-5-53, secção 534 (CENELEC)
Documento de Harmonização Europeu — Seleção e instalação de DST
Define as regras práticas de instalação: como ligar o DST, comprimento máximo dos cabos (0,5m), coordenação entre tipos, seleção do fusível de backup, e requisitos de ligação à terra.
⚠️ Quem pode instalar?
A instalação de DST no quadro elétrico deve ser realizada por um técnico eletricista qualificado e inscrito na DGEG (Direção-Geral de Energia e Geologia). Trabalhar no quadro elétrico sem formação adequada é perigoso e ilegal.
Perguntas frequentes
Cenários por tipo de edifício
As recomendações seguintes são orientações gerais de configuração típica. A seleção definitiva deve ser validada em projeto elétrico, tendo em conta o risco da instalação, a presença de SPDA, o esquema de terra e a criticidade dos equipamentos.
Tipo de edifício Configuração típica Principais atenções técnicas
🏡 Moradia / habitação unifamiliar Tipo 2 no quadro geral; Tipo 3 junto de computadores e TV Se linha aérea ou SPDA: avaliar Tipo 1+2. Verificar fusível de backup. Regra dos 0,5 m nos cabos de ligação.
🏢 Prédio habitacional Tipo 1+2 no quadro do RCCTE/ITED de entrada; Tipo 2 nos quadros de fração Coordenação entre quadro coletivo e frações. Atenção a ascensores e equipamentos comuns.
🏢 Edifício de escritórios Tipo 1+2 no quadro geral; Tipo 2 nos quadros parciais; Tipo 3 junto de servidores e postos de trabalho Proteção de linhas de dados (ver nota abaixo). Regra dos 10 m entre quadros. Avaliar UPS e proteção fina.
🏫 Escola Tipo 1+2 no quadro geral; Tipo 2 nos quadros de piso; Tipo 3 em laboratórios e salas de informática Equipamentos audiovisuais e de rede sensíveis. Avaliar proteção de linhas de dados. Verificar se existe SPDA.
🏥 Lar de idosos / residência assistida Tipo 1+2 no quadro geral; Tipo 2 em quadros de piso; Tipo 3 junto de equipamentos de chamada e monitorização Continuidade de serviço crítica. Avaliar grupos geradores e UPS. Proteção de sistemas de chamada e CCTV. Deve ser validado em projeto.
🏥 Hospital / clínica Configuração complexa com múltiplos níveis; sistema IT em bloco operatório e UCIs é frequente Exige projeto especializado. Sistema IT implica seleção específica de Uc. Grupo gerador e UPS obrigatórios. Conformidade com RTIEBT e requisitos hospitalares. Não deve ser definido sem projeto técnico qualificado.
🏭 Indústria Tipo 1+2 no quadro geral; Tipo 2/3 junto de PLCs, variadores de frequência e painéis de controlo Pode utilizar sistema TN ou IT. Equipamentos de automação muito sensíveis. Avaliar proteção de sinais analógicos e digitais. Verificar aterramento funcional de variadores.
🏪 Comércio / retalho Tipo 2 no quadro geral; Tipo 3 junto de POS, caixas e sistemas de gestão Proteção de terminais de pagamento e sistemas de rede. Verificar linha de dados e telecomunicações. Iluminação LED com drivers sensíveis.
🏨 Hotelaria Tipo 1+2 no quadro geral; Tipo 2 nos quadros de piso; Tipo 3 em zonas de servidores e gestão Sistemas de gestão hoteleira, IPTV e rede wi-fi sensíveis. Proteção de linhas de dados. Coordenação com UPS em zona de servidores.
⚡ Edifício com SPDA/SPDI Tipo 1+2 no quadro geral (obrigatório); Tipo 2 nos quadros parciais; Tipo 3 nos equipamentos críticos A presença de SPDA torna o Tipo 1 obrigatório no quadro de entrada. A Classe do SPDA determina o Iimp mínimo exigido. Coordenação deve ser verificada em projeto.
📡 Edifício com equipamentos exteriores Tipo 2 no quadro geral; proteção DST de sinal junto das entradas de antenas, CCTV e linhas exteriores Antenas, câmaras exteriores, sensores e equipamentos expostos são vias de entrada de energia de raio. Proteger tanto a linha de energia como a linha de sinal/dados em cada ponto de entrada.
Proteção de linhas de dados e telecomunicações
Os DST de potência (Tipo 1, 2 e 3) protegem as linhas elétricas da instalação. As linhas de sinal, dados e telecomunicações constituem uma via de entrada independente e igualmente vulnerável, exigindo DST de sinal específicos para cada tipo de linha.
🌐 Ethernet / LAN
DST de dados para RJ45. Especialmente importante em redes com cabos entre edifícios ou com equipamentos exteriores (câmaras IP, access points).
📡 Coaxial / antenas
DST coaxial (75Ω ou 50Ω) antes do primeiro equipamento interior. Antenas de telhado são frequentemente atingidas por indução.
📞 Telefone / DSL
DST para par telefónico ou DSL na entrada da linha. Protege routers ADSL/VDSL e centrais telefónicas.
🔌 Sinal / controlo analógico
DST de sinal para 4-20mA, 0-10V ou RS485. Importante em automação industrial, AVAC e sistemas de gestão técnica de edifícios (BMS/GTE).
📷 CCTV / câmaras exteriores
DST combinado (energia + sinal de vídeo ou rede) na entrada de cada câmara exterior. Câmaras em zonas expostas são particularmente vulneráveis.
📻 Antenas exteriores / SAT
DST coaxial antes do amplificador ou distribuidor interior. Em edifícios com SPDA, a ligação à equipotencial é obrigatória.
⚠️ A seleção de DST de sinal deve considerar a impedância, a frequência de trabalho e a tensão máxima admissível de cada linha. Validar com o fabricante e em projeto.
Erros frequentes de instalação
A eficácia de um DST depende tanto da qualidade do produto como da correção da instalação. Os erros seguintes são os mais frequentes e comprometem significativamente a proteção.
❌
Cabos de ligação demasiado longos
O comprimento total dos condutores de entrada e de saída do DST (incluindo o cabo de terra) não deve exceder 0,5 m. Comprimentos maiores aumentam a indutância, reduzindo a eficácia da proteção e aumentando o nível de proteção real entregue ao equipamento. É o erro mais comum e mais facilmente evitável.
❌
Ausência de fusível de backup
A maioria dos DST Tipo 1 e Tipo 2 requer um fusível de backup de características específicas (tipicamente tipo gG). Sem ele, a corrente de curto-circuito em caso de avaria do DST pode danificar o quadro. Verificar sempre as especificações do fabricante.
❌
DST sem ligação à terra ou terra de má qualidade
O DST desvia a energia para a terra. Se o eléctrodo de terra for inexistente ou apresentar resistência elevada, a energia não tem para onde ir e o nível de proteção real deteriora-se. A ligação à barra de terra do quadro deve ser directa, curta e de baixa impedância.
❌
Instalar apenas Tipo 2 quando SPDA ou linha aérea exigem Tipo 1
A presença de SPDA ou de alimentação por linha aérea pode justificar ou exigir Tipo 1+2 no quadro de entrada, conforme as normas aplicáveis. Instalar apenas Tipo 2 nestes casos não proporciona a proteção necessária contra correntes de impulso 10/350 µs.
❌
Não respeitar a regra dos 10 m entre quadros
Se a distância entre o quadro com Tipo 1+2 e o quadro secundário for igual ou superior a 10 m, o efeito indutivo do cabo pode "regenerar" a sobretensão ao longo do percurso, e é necessário instalar DST também no quadro secundário, ou usar DST combinados com seletividade garantida.
❌
Não verificar o indicador de estado após incidente
Após uma descarga ou sobretensão significativa, o DST pode ter chegado ao fim de vida sem que isso seja visível externamente. A maioria dos produtos modernos tem indicação visual (LED ou janela de cor). Um DST em fim de vida deve ser substituído mesmo que a instalação funcione normalmente.
❌
Proteger só a energia e esquecer as linhas de dados
As linhas de telecomunicações, rede informática, antenas e sinais analógicos são vias independentes de entrada de energia de sobretensão. Um DST de potência não protege estas linhas. É necessário instalar DST de sinal específicos em cada tipo de linha que entre ou saia do edifício.
⚠️ A instalação de DST no quadro elétrico deve ser realizada por um técnico eletricista qualificado e inscrito na DGEG. Os erros de instalação listados acima podem comprometer totalmente a proteção e criar riscos adicionais.